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Domingo, 30 de Maio de 2010

Queres ser imperador?

Naquele tempo, Heian Kyo, que significa "capital da paz e da tranquilidade12", era um local magnífico, onde residia sua Majestade o Imperador. Nobres senhores vestidos de vermelho, túnica cerise, calças púrpura, no­bres damas em trajes deslumbrantes, de co­res sempre renovadas, rivalizavam em justas de amor e jogos de espírito. As sumptuosas festas sucediam-se sem parar nos palácios, solares, ornados de estátuas magníficas. Os músicos acompanhavam às margens do lago

das Oito Virtudes os amantes do luar. Os templos eram construídos em madeira pre­ciosa, ornados a nacre, incrustados de pe­dras preciosas, e as cerimónias rituais davam lugar a faustos sem igual por todo o império.

O imperador Saga era um homem idoso, já um pouco cansado destes perpétuos fol­guedos. Rola-o um desgosto secreto. Não ti­nha filhos. Ausentava-se muitas vezes da corte, e ia com alguns fiéis e discretos ser­vidores ter com um ermita, um monge zen. Este vivia não longe da capital, numa sim­ples cabana de ramagens, ao pé dum pagode em ruínas. Sentado num tronco de árvore, Saga observava o monge orar, meditar, cor­tar lenha, e o machado brilhar ao sol ao rit­mo dos golpes.

"Vejo-te viver há vários anos, Ryoben, tu és activo, enérgico, generoso e sábio. Estou a envelhecer, não tenho filhos. Queres su­ceder-me, queres ser imperador?"

A esta pergunta espantosa, o monge nada respondeu.

"Imagina, Ryoben, os prazeres, a riqueza, o poder absoluto, o direito de vida e morte so­bre tudo o que respira neste país. Podias man­dar construir aqui um palácio, ou um templo de cem pagodes, divulgar o Zen, estender a sua influência. Não te sentes tentado?"

Então Ryoben pousou o machado, alisou a roupa, e disse:

"Vou até à margem da ribeira lavar os meus ouvidos emporcalhados por essas pa­lavras."

Foi até à ribeira onde encontrou um cam­ponês que ali ia muitas vezes levar a vaca a beber.

"Estás a lavar os ouvidos a estas horas do dia?

— Sim, os meus ouvidos foram emporca­lhados pelas palavras do imperador. Propôs­-me que lhe sucedesse, — e que subisse ao trono.

— Compreendo bem que te laves! — disse o camponês, — e nessas condições não vou deixar que a minha vaca beba dessa água suja."

Provocação, impertinência, o grande riso libertador do Zen. O monge considera com um olhar igual o príncipe e o pobre-diabo, oleão e o vermezinho. Não desejando nada, não possuindo nada, o Zen é a liberdade perfeita.


publicado por Yoga Leiria às 17:22

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