Para quem semeia na terra fértil do corpo

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. Estados de Espírito

. Compreender Metáforas 

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. Sempre foi assim

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Terça-feira, 27 de Setembro de 2016

Defeito ou qualidade?

Todos os dias um empregado ia a uma fonte buscar água para a casa. Levava uma vara ao pescoço com dois grandes potes, um de cada lado. Um dos potes tinha uma racha e pelo caminho perdia metade da água. Um dia o pote falou com o homem: - Estou envergonhado, quero pedir-te desculpas. - Por quê? Do que estás envergonhado? - Por causa desta racha apenas consigo entregar metade da minha carga. Tu andas de um lado para o outro e os teus esforços não são compensados. O homem falou: - Quando retornarmos para a casa do meu senhor, quero que percebas as flores ao longo do caminho. - Já notaste que no teu lado do caminho há muitas flores? E só há flores do teu lado. Cada dia que voltamos do poço, com a água que perdes regas as flores. Eu colho essas flores para ornamentar a mesa do meu senhor. Se não fosses como és, ele não poderia ter essas belezas para dar graça à sua casa.


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Sábado, 27 de Agosto de 2016

Oásis

Conta uma popular lenda do Oriente Próximo, que um jovem chegou à beira de um oásis junto a um povoado e, aproximando-se de um velho, perguntou-lhe:

- Que tipo de pessoa vive neste lugar?

- Que tipo de pessoa vivia no lugar de onde você vem? - perguntou por sua vez o ancião.

- Oh, um grupo de egoístas e malvados - replicou o rapaz - estou satisfeito de haver saído de lá.

- A mesma coisa você haverá de encontrar por aqui –replicou o velho.

No mesmo dia, um outro jovem se acercou do oásis para beber água e vendo o ancião perguntou-lhe:

- Que tipo de pessoa vive por aqui?

O velho respondeu com a mesma pergunta: - Que tipo de pessoa vive no lugar de onde você vem?

O rapaz respondeu: - Um magnífico grupo de pessoas, amigas, honestas, hospitaleiras. Fiquei muito triste por ter de deixá-las.

- O mesmo encontrará por aqui - respondeu o ancião.

Um homem que havia escutado as duas conversas perguntou ao velho:

- Como é possível dar respostas tão diferente à mesma pergunta?

Ao que o velho respondeu:

- Cada um carrega no seu coração o meio ambiente em que vive. Aquele que nada encontrou de bom nos lugares por onde passou, não poderá encontrar outra coisa por aqui. Aquele que encontrou amigos ali, também os encontrará aqui, porque, na verdade, a nossa atitude mental é a única coisa na nossa vida sobre a qual podemos manter controle absoluto.


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Quinta-feira, 7 de Julho de 2016

A Lagosta

A lagosta cresce formando e largando uma série de cascas duras, protectoras. Cada vez que ela se expande, de dentro para fora, a casca confinante tem de ser mudada. A lagosta fica exposta e vulnerável até que, com o tempo, um novo revestimento vem substituir o antigo.

A cada passagem de um estágio de crescimento humano para outro, também temos de mudar a nossa estrutura de protecção. Ficamos expostos e vulneráveis, mas também efervescentes e capazes de nos estendermos de modo antes ignorado. Essas mudanças de pele podem durar vários anos. entretanto, se sairmos, de cada uma dessas passagens, entramos num período mais prolongado e mais estável, no qual podemos esperar relativa tranquilidade e uma sensação de reconquista de equilíbrio.


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Quinta-feira, 2 de Junho de 2016

Estados de Espírito

Um rei muito poderoso percebeu que lhe faltava o poder sobre todos os poderes: o Poder sobre seus Estados de Espírito. Convocou uma reunião com seus ministros e ordenou-lhes que resolvessem o problema. Um deles disse:

- Ouvi falar que há, em algum lugar do reino, uma Mulher, conhecida como A Sabedoria, que possui um anel dentro do qual há uma mensagem, que é o segredo do Poder sobre os Estados de Espírito.

- Pois eu lhe ordeno que encontre este anel e traga-o para mim !

O ministro partiu e depois de muito procurar encontrou-se frente a frente com a Sabedoria. Disse:
- Soube da existência de um anel que contêm a sabedoria em forma de uma mensagem que dá a quem a possui o poder sobre os Estados de Espírito. E meu rei quer possuir tal poder.

Diz a Mulher

- O anel existe e eu o possuo. Presenteio ao seu rei com o anel, com uma condição: que só o abra e leia a mensagem poderosa depois de ter esgotado todos os seus recursos, quando já não tenha o que fazer por já ter feito tudo o que sabe e pode.

O assessor levou o anel para o rei que ficou muito satisfeito e o recompensou regiamente. O rei colocou o anel e aguardou o momento de abri-lo e conhecer o segredo do poder sobre os estados de espíritos. Algum tempo depois o rei ficou muito irritado com seus vizinhos, que invadiram seu reino. Pensou em abrir o anel.
- Não. Posso lutar.

Perdeu a luta e sentiu muita tristeza. Pensou em abrir o anel.

- Não. Posso recuperar o que perdi.

Os invasores chegaram ao castelo para matá-lo e sentiu muito medo.
- Abro o anel agora? Não, posso fugir.

Fugiu e foi perseguido. Ao chegar ao penhasco, vendo que leões o aguardavam caso saltasse, com o exército inimigo em seus calcanhares, aterrorizado, pensou: "Já não há o que fazer, meus recursos se esgotaram. Esta é a hora!" Abriu o anel e nele estava escrito “Isso também passará”

Reconfortado, encontrou um lugar para esconder-se e sobreviveu. Sobreviveu e voltou. Reconquistou seu castelo e seu reino. Sentia-se muito alegre. Ficou tentado a abrir de novo o anel, mas pensou: "Vou dar uma festa para extravasar tanta alegria". Durante a festa ficou sabendo que seus exércitos haviam tomado o reino inimigo. Seu coração disparou a ponto dele pensar que iria ter um ataque cardíaco, de tão feliz. Sentindo-se morrer de felicidade, sem saber mais o que fazer, abriu de novo o anel. E no anel estava escrito “Isso também passará“!


publicado por Yoga Leiria às 22:23

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Domingo, 1 de Maio de 2016

Compreender Metáforas 

Alguém disse ao Mestre:

- Você nos conta histórias, metáforas e parábolas, mas não nos diz como compreendê-las.

E o Mestre respondeu:

- Você gostaria que o homem a quem você comprou uma fruta a comesse ante seus olhos, e lhe deixasse apenas a casca?


publicado por Yoga Leiria às 20:50

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Terça-feira, 1 de Dezembro de 2015

Baralho

Um grupo de pesquisadores realizou um estudo no qual mostravam às pessoas um baralho. Contudo em cada uma das cartas havia um erro, algo diferente do normal. O quatro de paus era vermelho, o cinco de ouros tinha seis de ouros. O procedimento consistia em mostrar as cartas às pessoas e perguntar-lhes o que estavam vendo.

Vocês acham que as pessoas ficaram surpresas ao ver essas cartas cheias de erros óbvios? Não, porque não notaram. Quando se pedia para descreverem as cartas que viam as pessoas respondiam que estavam olhando para um cinco de ouros ou para um quatro de paus. Elas não faziam qualquer menção ao fato de haver erros nas cartas.

Por que isso acontecia? Porque aquilo que vemos não depende apenas do que se encontra realmente à nossa frente, mas também daquilo que estamos procurando - nossas expectativas, nossos pressupostos.


publicado por Yoga Leiria às 22:06

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Sábado, 3 de Outubro de 2015

A Verdadeira Fé

Um Cético perguntou a Devendranath Tagore:

- Sempre falas de Deus, mas tens provas de sua existência?

Devendranath apontou para uma luz:

- Sabes o que é isto?

- É uma luz- respondeu o céptico.

- Como sabes que é uma luz? - perguntou Devendranath.

- Eu a vejo, portanto, não há necessidade de prova.

- Então o mesmo se dá com a existência de Deus. Eu o vejo em mim, e fora de mim, eu o vejo dentro e através de cada coisa. Portanto, não há necessidade de prova.

E continuou:

- Enquanto a abelha se encontra no exterior das pétalas do lírio e não experimentou ainda a doçura de seu suco, ela plana em volta da flor e emite um zumbido. Mas, logo que ela penetra em seu interior; ela bebe silenciosamente o néctar. Quando alguém ainda estiver discutindo e especulando sobre uma doutrina e os dogmas religiosos, é por que ainda não experimentou o néctar da verdadeira fé. Por isso, faz silêncio e compreenderás! Onde o Espírito Eterno vem com sua Luz, nossa lâmpada terrestre já não é necessária. Pobres homens que crêem que as miseráveis lâmpadas do intelecto humano dão mais luz que o doce cintilar das estrelas divinas!


publicado por Yoga Leiria às 20:50

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Domingo, 23 de Agosto de 2015

Síndroma do 100º Macaco

Havia um conjunto de ilhas habitadas por macacos. Os cientistas introduziram batatas nas ilhas mas nada aconteceu. Em seguida, treinaram uma macaquinha a extrair a batata do solo, a lavá-la e a comê-la. Passado algum tempo, os outros macacos, começaram a imitá-la e a extrair a batata do solo, a lavá-la e a comê-la. Este comportamento foi-se propagando até que o centésimo macaco adquiriu o novo comportamento. Nesse momento ocorreu um fenómeno intrigante: os macacos das ilhas vizinhas, onde também tinha sido introduzida a batata mas nada havia sido ensinado e que não tinham ligação directa com os macacos da primeira ilha, espontaneamente passaram a extrair a batata do solo, a lavá-la e a comê-la.

Isto é conhecido como a síndroma do 100o macaco. É a crença que temos que quando uma determinada massa crítica de pessoas atinge um novo patamar de experiência, a humanidade como um todo evolui com essa experiência.


publicado por Yoga Leiria às 10:33

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Domingo, 5 de Julho de 2015

O Fazendeiro, o Filho e o Burro

Um fazendeiro e seu filho viajavam para o mercado, levando consigo um burro. Na estrada, encontraram umas moças salientes, que riram e zombaram deles:

- Já viram que bobos? Andando a pé, quando deviam montar no burro?

O fazendeiro, então, ordenou ao filho:

- Monte no burro, pois não devemos parecer ridículos.

O filho assim o fez.

Daí a pouco, passaram por uma aldeia. À porta de uma estalagem estavam uns velhos que comentaram:

- Ali vai um exemplo da geração moderna: o rapaz, muito bem refestelado no animal, enquanto o velho pai caminha, com suas pernas fatigadas.

- Talvez eles tenham razão, meu filho, disse o pai. Ficaria melhor se eu montasse e você fosse a pé.

Trocaram então as posições.

Alguns quilómetros adiante, encontraram camponesas passeando, as quais disseram:

- A crueldade de alguns pais para com os filhos é tremenda! Aquele preguiçoso, muito bem instalado no burro, enquanto o pobre filho gasta as pernas.

- Suba na garupa, meu filho. Não quero parecer cruel, pediu o pai.

Assim, ambos montados no burro, entraram no mercado da cidade.

- Oh!! Gritaram outros fazendeiros que se encontravam lá. Pobre burro, maltratado, carregando uma dupla carga! Não se trata um animal desta maneira. Os dois precisavam ser presos. Deviam carregar o burro às costas, em vez de este carregá-los.


publicado por Yoga Leiria às 17:22

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Sábado, 2 de Maio de 2015

Sempre foi assim

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula. No meio, uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia na escada para pegar as bananas, os cientistas jogavam um jacto de água fria nos que estavam no chão. Depois de algum tempo, quando um macaco fazia menção de subir a escada, os outros o pegavam e enchiam de pancada. Após mais algum tempo, nenhum macaco queria subir a escada, apesar da tentação das bananas.

Um dia, substituíram um dos macacos por um novo. A primeira coisa que o calouro fez foi tentar subir a escada, mas foi impedido pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo desistiu de subir a escada.
Um segundo macaco foi substituído e o mesmo ocorreu, sendo que o primeiro substituto participou com entusiasmo da surra ao novato.

Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu.

Um quarto e afinal o último dos veteranos foi substituído.

Os cientistas então ficaram com um grupo de cinco macacos que, mesmo sem nunca ter tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar as bananas.


publicado por Yoga Leiria às 11:08

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Sábado, 4 de Abril de 2015

O leão que pensava que era uma ovelha 

Leozinho, o Leão, foi criado por ovelhas. Cresceu entre elas, e tal qual como se fosse uma ovelha, Leozinho pensava, sentia e agia no seu dia a dia. Assim ia levando sua vida até que aconteceu uma tragédia. Surgiram lobos famintos e ferozes que, ao avistarem as ovelhas, partiram em seu encalço.

Apavoradas, as ovelhas e Leozinho se puseram a correr, na tentativa de escaparem das garras de seus perseguidores. Enquanto fugia, Leozinho olhou para trás e viu uma cena que o deixou chocado: sua mãe, a ovelha que o havia criado, havia sido encurralada por quatro ou cinco lobos assassinos, prestes a devorá-la! Naquele instante... algo ocorreu... um sentimento forte e até então desconhecido começou a se avolumar dentro de Leo, e de repente...

- Roarrr!!!!!!!

Despertou a Fera... o Gigante Interior que habita e sempre habitou em seu Ser... e em um gesto desesperado para salvar sua "mãe", Leo se atirou em cima dos lobos e para espanto geral os pôs para correr... fugiram todos os lobos diante daquele leão! Com o tempo, Leo foi se conhecendo e descobrindo sua verdadeira natureza... aprendendo a lidar com sua Força e instintos. Hoje, Leo é o Rei dos animais... e é um rei justo e sábio... que jamais se esqueceu do amor e do carinho que recebera das ovelhas... e as protege com toda a gratidão e respeito!


publicado por Yoga Leiria às 09:33

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Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2015

Porcos Assados

Certa vez, aconteceu um incêndio num bosque onde havia alguns porcos, que foram assados pelo fogo. Os homens, acostumados a comer carne crua, experimentaram e acharam deliciosa a carne assada. A partir daí, toda vez que queriam comer porco assado, incendiavam um bosque..

 

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publicado por Yoga Leiria às 15:54

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Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2015

Capacidade

Certa lenda conta que estavam duas crianças patinando em cima de um lago congelado. Era uma tarde nublada e fria e as crianças brincavam sem preocupação. De repente, o gelo se quebrou e uma das crianças caiu na água. A outra criança vendo que seu amiguinho se afogava de baixo do gelo, pegou uma pedra e começou a golpear com todas as suas forças, conseguindo quebrá-lo e salvar seu amigo. Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino:

- Como você conseguiu fazer isso? É impossível que você tenha quebrado o gelo com essa pedra e suas mãos tão pequenas!

Nesse instante apareceu um ancião e disse:

- Eu sei como ele conseguiu.

Todos perguntaram:

- Como?

O ancião respondeu:

- Não havia ninguém ao seu redor para dizer-lhe que ele não seria capaz.


publicado por Yoga Leiria às 01:26

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Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2014

Lixo

Peguei num papel e amarrotei-o, enquanto disse à minha irmã:

- Imagina que este papel é lixo

Sem ela esperar atirei-o para cima dela. Pensando que era lixo ela desviou-se e não o apanhou.

- Estás a ver? Com os insultos é o mesmo. Não precisas de os apanhar...


publicado por Yoga Leiria às 19:58

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Sábado, 1 de Novembro de 2014

Corrida de Sapos

O objectivo era atingir o alto de uma grande torre. Havia no local uma multidão assistindo. Muita gente para vibrar e torcer por eles. Começou a competição. Mas como a multidão não acreditava que os sapinhos pudessem alcançar o alto daquela torre, o que mais se ouvia era:

Que pena !!! esses sapinhos não vão conseguir...não vão conseguir..." E os sapinhos começaram a desistir.

Mas havia um que persistia e continuava a subida em busca do topo. A multidão continuava gritando:

"... que pena !!! vocês não vão conseguir !...". E os sapinhos estavam mesmo desistindo, um por um, menos aquele sapinho que continuava tranquilo ... embora cada vez mais arfante. Já ao final da competição, todos desistiram, menos ele. A curiosidade tomou conta de todos. Queriam saber o que tinha acontecido. E assim, quando foram perguntar ao sapinho como ele havia conseguido concluir a prova, descobriram que ele era surdo.


publicado por Yoga Leiria às 23:08

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Domingo, 28 de Setembro de 2014

A Carroça

Certa manhã bem cedo, o meu pai convidou-me para ir ao bosque a fim de ouvir o cantar dos pássaros. Acedi com grande alegria e lá fomos nós, humedecendo os nossos sapatos com o orvalho da relva. Ele se parou numa clareira e, depois de um pequeno silêncio, perguntou- me:

- Estás a ouvir alguma coisa para além do canto dos pássaros?

Apurei o ouvido alguns segundos e respondi:

- Estou a ouvir o barulho de uma carroça que deve estar a descer pela estrada. - Isso mesmo...disse ele. É uma carroça vazia. Sabes porquê?

- Não, respondi intrigado.

Então, o meu pai pôs-me a mão no ombro e olhou bem no fundo dos meus olhos, E disse:

- Por causa do barulho que faz. Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz.

Não disse mais nada, porém deu-me muito em que pensar. Tornei-me adulto. E, ainda hoje, quando vejo uma pessoa tagarela e inoportuna, interrompendo intempestivamente a conversa, ou quando eu mesmo, por distracção, me vejo prestes a fazer o mesmo, imediatamente tenho a impressão de estar a ouvir a voz do meu pai soando na clareira do bosque e me ensinando:

- Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz!


publicado por Yoga Leiria às 19:03

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Quinta-feira, 3 de Julho de 2014

Svetlana

Desde pequena Svetlana só tinha conhecido uma paixão: dançar e sonhar em ser uma Grande Balharina do Ballet Bolshoi. Seus pais tinham desistido de lhe exigir empenho em qualquer outra actividade. Os rapazes que a procuram já se tinham resignado: o coração de Svetlana batia somente para uma paixão e tudo o mais era sacrificado pelo dia em que se tornaria bailarina do Bolshoi.

Um dia, Svetlana teve sua grande oportunidade. Conseguira uma audiência com Sergei Davidovitch, Ballet Master do Bolshoi, que estava a seleccionar aspirantes para a Companhia. Dançou como se fosse seu último dia na Terra. Colocou tudo que sentia e que aprendera em cada movimento, como se uma vida inteira pudesse ser contada em um único compasso. Ao final, aproximou-se do Master e perguntou-lhe:

"Então, o senhor acha que eu me posso tornar uma Grande Balharina?"

Na longa viagem de volta à sua aldeia, Svetlana, por entre as lágrimas, imaginou que nunca mais aquele "Não" deixaria de reverberar em sua mente. Passaram-se meses até que pudesse novamente calçar uma sapatilha. Ou fazer os seu exercícios de alongamento frente ao espelho. Dez anos mais tarde Svetlana, já estimada professora de ballet, ganhou coragem e foi à representação anual do Bolshoi da sua região. Sentou-se à frente da plateia e notou que o Sr. Davidovitch ainda era o Ballet Master. Após o concerto, aproximou-se do cavalheiro e contou-lhe o quanto ela queria ter sido bailarina do Bolshoi e como lhe doera, anos atrás, ouvi-lo dizer que ela não seria capaz.

- Mas minha filha, eu digo isso a todas as aspirantes - respondeu o Sr. Davidovitch

- Como é que o senhor conseguiu cometer uma injustiça dessas? Eu dediquei toda a minha vida! Todos me diziam que tinha dom. Eu poderia ter sido uma Grande Balharina se não fosse o desdém com que o senhor me avaliou!

Havia solidariedade e compreensão na voz do Master, mas ele não hesitou ao responder:

- Perdoe-me, minha filha, mas você nunca poderia ter sido suficiente grande, se foi capaz de abandonar o seu sonho pela opinião de outra pessoa.


publicado por Yoga Leiria às 14:20

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Domingo, 1 de Junho de 2014

Injustiçado

Paulo trabalhava em uma empresa há dois anos. Sempre foi um funcionário sério, dedicado e cumpridor de suas obrigações. Nunca chegava atrasado. Por isso mesmo já estava com 2 anos na empresa, sem ter recebido uma única reclamação. Certo dia, porém, ele foi até o director para fazer uma reclamação:

- Sr. Gustavo, tenho trabalhado durante estes dois anos em sua empresa com toda a dedicação, só que me sinto um tanto injustiçado. Fiquei sabendo que o Fernando, que tem o mesmo cargo que eu e está na empresa há somente 6 meses e já vai ser promovido??

Gustavo, fingindo não ouvi-lo, disse:           

- Foi bom você vir aqui. Tenho um problema para resolver e você poderá ajudar-me. Estou querendo dar frutas como sobremesa ao nosso pessoal após o almoço de hoje. Aqui na esquina tem uma barraca de frutas. Por favor, vá até lá e verifique se eles tem abacaxi.

Paulo, sem entender direito, saiu da sala e foi cumprir a missão. Em cinco minutos estava de volta.

- E aí Paulo? - Perguntou Gustavo.

- Verifiquei como o senhor pediu e eles têm abacaxi sim...

- E quanto custa???

- Ah, Isso eu não perguntei não.

- Eles têm abacaxi suficiente para atender a todo nosso pessoal???

- Também não perguntei isso não...

- Há alguma fruta que possa substituir o abacaxi???

- Não sei não...

- Muito bem Paulo. Sente-se ali naquela cadeira e aguarde um pouco.

O diretor pegou o telefone e mandou chamar o novato Fernando. Deu a ele a mesma orientação que dera ao Paulo. Em dez minutos, Fernando voltou.

- E então??? - Indagou Gustavo.

- Eles têm abacaxi, sim Seu Gustavo. E é o suficiente para todo nosso pessoal e, se o senhor preferir, têm também laranja, banana, melão e mamão. O abacaxi estão vendendo a R$1,50 cada; a banana e o mamão a R$1,00 o quilo; o melão R$1,20 a unidade e a laranja a R$20,00 o cento, já descascada... Mas como eu disse que a compra seria em grande quantidade, eles nos concederão um desconto de 15%. Deixei reservado... Conforme o Senhor decidir, volto lá e confirmo o pedido! - Explicou Fernando.


publicado por Yoga Leiria às 17:41

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Segunda-feira, 31 de Março de 2014

Flores Raras

Conta-se que havia uma jovem que tinha tudo, um marido maravilhoso, filhos perfeitos, um emprego que lhe rendia um bom salário e uma família unida. O problema é que ela não conseguia conciliar tudo.

O trabalho e os afazeres lhe ocupavam quase todo tempo e ela estava sempre em débito em alguma área. Se o trabalho lhe consumia tempo demais, ela tirava dos filhos, se surgiam imprevistos, ela deixava de lado o marido. E assim, as pessoas que ela amava eram deixadas para depois até que um dia, seu pai, um homem muito sábio, lhe deu um presente: Uma flor muito rara, da qual só havia um exemplar em todo o mundo. A jovem ficou muito emocionada, afinal a flor era de uma beleza sem igual.

Mas o tempo foi passando, os problemas surgiam, o trabalho consumia todo o seu tempo, e a sua vida, que continuava confusa, não lhe permitia cuidar da flor. Ela chegava em casa, e as flores ainda estavam lá, não mostravam sinal de fraqueza ou morte, apenas estavam lá, lindas, perfumadas. Então ela passava directo. Até que um dia, sem mais nem menos, a flor morreu.


publicado por Yoga Leiria às 09:26

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Sábado, 1 de Março de 2014

Palestra

Conta-se que um palestrante muito famoso ganhava muito dinheiro como "expert" em educação infantil, sobretudo com sua palestra intitulada "Os 10 Mandamentos para os Pais bem-sucedidos na Ciência do bem educar seus filhos"... Era sobre dez "Leis" que todo pai e toda mãe deveriam seguir inexoravelmente. Dizia a todos como se comportarem diante do desafio de serem pais. Tinha resposta para tudo e todos, porém era solteiro e sem filhos. Certo dia, conheceu a Mulher de seus sonhos. Apaixonaram-se e casaram-se em seguida. Um ano depois, o casal foi abençoado com seu primeiro filho. Não passou muito tempo e diante de uma nova realidade ele percebeu que sua Palestra melhor seria chamada de "As 10 Regras de Ouro indicadas para os Pais que desejassem ser bem-sucedidos na Ciência do bem criar seus Filhos". No ano seguinte, o casal teve mais um filho, e diante das novas dificuldades e desafios que surgiram, o palestrante refez sua Palestra, passando chama-la de "As 10 Sugestões para os Pais bem-sucedidos na Arte de criar seus Filhos". Mais um ano e mais um filho. Não muito tempo depois do nascimento de seu terceiro filho, o palestrante mais uma vez se viu obrigado a rever sua Palestra, a qual passou a ser apresentada com o título de "Tentativas para se criar os filhos nos dias de hoje". Após o nascimento do quarto filho, o Palestrante mudou de profissão. 


publicado por Yoga Leiria às 23:03

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Domingo, 1 de Dezembro de 2013

A Rosa

Um homem plantou uma rosa e começou a cuida-la com muita atenção. Antes que desabrochasse, ele examinou-a e viu o botão que em breve desabrocharia, mas notou espinhos sobre o talo e pensou, "Como pode uma flor tão bela vir de uma planta rodeada de espinhos tão afiados?" Entristecido por este pensamento, recusou-se a regar a rosa e antes mesmo de estar pronta para desabrochar a rosa morreu.


publicado por Yoga Leiria às 21:36

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Domingo, 30 de Junho de 2013

Restaurante

Tenho um amigo que é um excelente cozinheiro e cozinha pratos que se distinguem pela sua originalidade. Sempre quis ter um restaurante mas não tem dinheiro para isso. Um dia arranjou lugar de cozinheiro num engraçado e pequeno café. Contente por ele, fui lá comer. Qual não é o meu espanto quando vi que a qualidade da comida estava muito aquém da sua especialidade. Quando lhe disse isso, ele respondeu-me:
- Não quero pôr aqui o meu “toque” para não pensarem que é roubado quando tiver o meu restaurante.
Passaram anos. O café continua a ser um café mediano. E ele continua a trabalhar lá.

publicado por Yoga Leiria às 21:07

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Domingo, 2 de Junho de 2013

A prisão da Raiva

Dois homens haviam compartilhado injusta prisão durante um longo tempo onde recebiam todo tipos de maltratos e humilhações. Uma vez livres, voltaram a se encontrar anos depois. Um deles perguntou ao outro:

- Alguma vez te lembras do carcereiro?

- Não, graças a Deus já esqueci de tudo - indagou o outro - E tu?

- Eu continuo a odia-los com todas as minhas forças - respondeu o outro.

Seu amigo olhou-o por uns instantes, e logo disse:

- Sinto muito por ti. Se isto é assim, significa que ainda te mantém preso.


publicado por Yoga Leiria às 20:36

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Domingo, 31 de Março de 2013

Nasrudin e o Varal

Um vizinho bateu à porta do Nasrudin e pediu:

- Nasrudin, você me empresta o varal de secar roupa que o de lá de casa se quebrou?- Um momento. Vou perguntar à minha mulher. Momentos depois Nasrudin voltou e disse para o vizinho:

- Desculpe vizinho, mas não vou poder emprestar o varal pois minha mulher está secando farinha nele. O vizinho, surpreso, exclamou:

- Mas Nasrudin, secando farinha no varal??!!

E Nasrudin respondeu:

- É... quando não se quer emprestar o varal, até farinha se seca nele... 


publicado por Yoga Leiria às 17:04

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Segunda-feira, 4 de Março de 2013

Espinho Alheio

Durante a Era Glacial, muitos animais morriam por causa do frio. Os porcos-espinhos, percebendo esta situação, resolveram se junta em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente.

Mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que lhes forneciam calor. E, por isso tornavam a se afastar uns dos outros. Voltaram a morrer congelados e precisavam fazer uma escolha: Desapareceriam da face da Terra ou aceitavam os espinhos do semelhante.

Com sabedoria, decidiram voltar e ficar juntos. Aprenderam, assim, a conviver com as pequenas feridas que uma relação muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro.


publicado por Yoga Leiria às 10:01

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Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2013

A última casa

Um velho carpinteiro que construía casas estava pronto para se reformar. Informou o chefe do seu desejo de sair da indústria de construção e passar mais tempo com a sua família. Acrescentou que sentiria falta do salário, mas realmente queria aposentar-se. A empresa não seria muito afectada pela saída do carpinteiro, mas o chefe estava triste por ver um bom funcionário partir e pediu ao carpinteiro para trabalhar em mais um projecto como um favor. O carpinteiro acabou por concordar, mas não gostou nada da ideia. E foi fácil ver que ele não estava entusiasmado com a ideia. Assim prosseguiu fazendo um trabalho de segunda qualidade e usando materiais inadequados. Foi uma maneira negativa dele terminar a sua carreira. Quando o carpinteiro acabou, o seu chefe veio fazer a inspecção da casa construída. Deu a chave ao carpinteiro e disse: 

- Essa é a sua casa. Ela é o meu presente para si.


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Sábado, 1 de Dezembro de 2012

Conto Árabe sobre os Sonhos

Uma conhecida anedota árabe conta que um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes. Logo que despertou, mandou chamar um adivinho para que interpretasse seu sonho.

- Que desgraça, senhor! - Exclamou o adivinho. - Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade.

- Mas que insolente - gritou o sultão, enfurecido. - Como te atreves a dizer-me semelhante coisa? Fora daqui!

Chamou os guardas e ordenou que lhe dessem cem açoites. Mandou que trouxessem outro adivinho e lhe contou sobre o sonho. Este, após ouvir o sultão com atenção, disse-lhe:

- Excelso senhor! Grande felicidade vos está reservada. O sonho significa que haveis de sobreviver a todos os vossos parentes.

A fisionomia do sultão iluminou-se num sorriso, e ele mandou dar cem moedas de ouro ao segundo adivinho. E quando este saía do palácio, um dos cortesãos lhe disse admirado:

- Não é possível! A interpretação que você fez foi a mesma que o seu colega havia feito. Não entendo porque ao primeiro ele pagou com cem açoites e a você com cem moedas de ouro.

- Lembra-te meu amigo - respondeu o adivinho - que tudo depende da maneira de dizer... Um dos grandes desafios da humanidade é aprender a arte de comunicar-se. Da comunicação depende, muitas vezes, a felicidade ou a desgraça, a paz ou a guerra. Que a verdade deve ser dita em qualquer situação, não resta dúvida. Mas a forma com que ela é comunicada é que tem provocado, em alguns casos, grandes problemas.

A verdade pode ser comparada a uma pedra preciosa. Se a lançarmos no rosto de alguém pode ferir, provocando dor e revolta. Mas se a envolvemos em delicada embalagem e a oferecemos com ternura, certamente será aceite com facilidade.


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Domingo, 4 de Novembro de 2012

Milho Bom

Um fazendeiro ganhava todos os prémios dos concursos de Milhos. Joaquim, jornalista entrevistou-o e descobriu que ele compartilhava as suas sementes de milho com os vizinhos. Curioso perguntou:

- Como compartilha as suas melhores sementes de milho com seus vizinhos se está a competir com eles?

- Por que? Não sabes ? O vento apanha pólen do milho maduro e o leva através do vento de campo para campo. Se meu vizinhos cultivam milho inferior, a polinização degradará continuamente a qualidade de meu milho. Para continuar a cultivar milho bom tenho que ajudar meu vizinhos a cultivarem milho bom.


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Domingo, 7 de Outubro de 2012

Construa Pontes

Dois irmãos que moravam em fazendas vizinhas, separadas apenas por um riacho, entraramem conflito. Foia primeira grande desavença em toda uma vida de trabalho lado a lado. Mas agora tudo havia mudado. O que começou com um pequeno mal entendido, finalmente explodiu numa troca de palavras ríspidas, seguidas por semanas de total silêncio. Numa manhã, o irmão mais velho ouviu baterem à sua porta.

- Estou procurando trabalho, disse o carpinteiro. Talvez você tenha algum serviço para mim.

- Sim, disse o fazendeiro. Claro! Vê aquela fazenda ali, além do riacho? É do meu vizinho. Na realidade é do meu irmão mais novo. Nós brigamos e não posso mais suportá-lo.

- Vê aquela pilha de madeira ali no celeiro? Pois use para construir uma cerca bem alta.

- Acho que entendo a situação, disse o carpinteiro.

- Mostre-me onde estão a pá e os pregos.

O irmão mais velho entregou o material e foi para a cidade. O homem ficou ali cortando, medindo, trabalhando o dia inteiro. Quando o fazendeiro chegou, não acreditou no que viu: em vez de cerca, uma ponte foi construída ali, ligando as duas margens do riacho. Era um belo trabalho, mas o fazendeiro ficou enfurecido e falou:

- Você foi atrevido construindo essa ponte depois de tudo que lhe contei.

Mas as surpresas não pararam ai. Ao olhar novamente para a ponte viu o seu irmão se aproximando de braços abertos. Por um instante permaneceu imóvel do seu lado do rio. O irmão mais novo então falou:

- Você realmente foi muito amigo construindo esta ponte mesmo depois do que eu lhe disse.

De repente, num só impulso, o irmão mais velho correu na direcção do outro e abraçaram-se, chorando no meio da ponte. O carpinteiro que fez o trabalho partiu com sua caixa de ferramentas


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Domingo, 9 de Setembro de 2012

Peixes

Uma bióloga, que estudava o comportamento de peixes, descreveu o seguinte:

- Costumava colocar os peixes em grandes aquários, separados por lâminas de vidro, para que pudesse estudar cada espécie individualmente. Um dia decidi remover uma das lâminas de separação para limpá-la. Ao voltar com a lâmina, para recolocá-la em seu lugar, me surpreendi com o que vi. Os peixes não se tinham misturado.


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Sábado, 28 de Julho de 2012

O monge mordido

Um monge e seus discípulos iam por uma estrada e, quando passavam por uma ponte, viram um escorpião sendo arrastado pelas águas. O monge correu pela margem do rio, meteu-se na água e tomou o bichinho na mão. Quando o trazia para fora do rio o escorpião o picou. Devido à dor, o monge deixou-o cair novamente no rio. Foi então à margem, pegou um ramo de árvore, voltou outra vez a correr pela margem, entrou no rio, resgatou o escorpião e o salvou. Em seguida, juntou-se aos seus discípulos na estrada. Eles haviam assistido à cena e o receberam perplexos e penalizados.

— Mestre, o Senhor deve estar muito doente! Por que foi salvar esse bicho ruim e venenoso? Que se afogasse! Seria um a menos! Veja como ele respondeu à sua ajuda: picou a mão que o salvava! Não merecia sua compaixão!

O monge ouviu tranquilamente os comentários e respondeu: — Ele agiu conforme sua natureza e eu de acordo com a minha.


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Terça-feira, 3 de Julho de 2012

O Cão e o Osso

Um dia, um cão, carregando um osso na boca, ia atravessando uma ponte. Olhando para baixo, viu sua própria imagem reflectida na água. Pensando ver outro cão, cobiçou-lhe logo o osso que este tinha na boca, e pôs-se a latir. Mal, porém, abriu a boca, seu próprio osso caiu na água e perdeu-se para sempre.

”Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar!”


publicado por Yoga Leiria às 14:29

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Domingo, 3 de Junho de 2012

O pão

Um casal de idosos comemora suas Bodas de Ouro após longos anos de matrimonio. Enquanto tomavam juntos o café da manhã a esposa pensou “por cinquenta anos tenho sempre sido atenciosa para com meu esposo e sempre lhe dei a parte crocante de cima do pão. Hoje desejo, finalmente, degustar eu mesma essa gostosura”. Ela espalhou manteiga na parte de cima do pão e deu ao marido a outra metade. Ao contrário do que ela esperava, ele ficou muito satisfeito, beijou sua mão e disse “minha querida, tu acabas de me dar a maior alegria do dia. Por mais de cinquenta anos eu não comi a parte de baixo do pão, que é minha preferida. Sempre pensei que eras tu que deverias tê-la, já que tanto a aprecias”.


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Sábado, 5 de Maio de 2012

Conto Judaico

Um dia, a Verdade decidiu visitar os homens, sem roupas e sem adornos, tão nua como seu próprio nome.

E todos que a viam lhe viravam as costas de vergonha ou de medo, e ninguém lhe dava as boas-vindas.

Assim, a Verdade percorria os confins da Terra, criticada, rejeitada e desprezada.

Uma tarde, muito desconsolada e triste, encontrou a Parábola, que passeava alegremente, trajando um belo vestido e muito elegante.

Verdade, por que você está tão abatida? — perguntou a Parábola.

Porque devo ser muito feia e antipática, já que os homens me evitam tanto! — respondeu a amargurada Parábola.

Que disparate! — Sorriu a Parábola. — Não é por isso que os homens evitam você. Tome. Vista algumas das minhas roupas e veja o que acontece.

Então, a Verdade pôs algumas das lindas vestes da Parábola, e, de repente, por toda parte onde passava era bem-vinda e festejada.

Os seres humanos não gostam de encarar a Verdade sem adornos. Eles preferem-na disfarçada. 


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Domingo, 4 de Março de 2012

A Rosa

Um homem plantou uma rosa e começou a cuida-la com muita atenção. Antes que desabrochasse, ele examinou-a e viu o botão que em breve desabrocharia, mas notou espinhos sobre o talo e pensou, "Como pode uma flor tão bela vir de uma planta rodeada de espinhos tão afiados?" Entristecido por este pensamento, recusou-se a regar a rosa e antes mesmo de estar pronta para desabrochar a rosa morreu.


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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012

Furo no Pneu

Quando conduzia numa estrada deserta, Pedro teve um furo no pneu. Quando foi buscar o macaco descobriu que não o tinha no carro. Sem saber o que fazer reparou na luz de uma casa a alguns quilómetros e resolveu ir até lá. No entanto no caminho começou a pensar na fúria que o morador teria a ser acordado àquela hora tardia. Foi pensando nisso e ficando cada vez mais preocupado. Até que quando chegou, tocou à campainha e mal o morador abriu a porta gritou-lhe:

- Pois fique com a porcaria do seu macaco

Virou as costas e foi-se embora.


publicado por Yoga Leiria às 09:26

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Domingo, 1 de Janeiro de 2012

A Rocha

O aluno perguntou ao Mestre

- Como faço para me tornar o maior dos guerreiros?

- Vá atrás daquela colina e insulte a rocha que se encontra no meio da planície.

- Mas para que, se ela não me vai responder?

- Então golpeie-a com a tua espada.

- Mas minha espada se quebrará!

- Então agrida-a com tuas próprias mãos.

- Assim eu vou machucar minhas mãos... E também não foi isso que eu perguntei. O que eu queria saber era como que eu faço para me tornar o maior dos guerreiros.

- O maior dos guerreiros e aquele que é como a rocha, não liga para insultos nem provocações, mas está sempre pronto para desenvencilhar qualquer ataque do inimigo


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Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2011

O sábio samurai

Perto de Tóquio, vivia um grande samurai, já idoso, que agora se dedicava a ensinar Zen aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um guerreiro, conhecido por sua total falta de escrúpulos, apareceu por ali. Era famoso por utilizar a técnica da provocação. Esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para observar os erros cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante. O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta. Conhecendo a reputação do samurai, estava ali para derrotá-lo e aumentar sua fama.

Todos os estudantes se manifestaram contra a idéia, mas o velho e sábio samurai aceitou o desafio. Foram todos para a praça da cidade. Lá, o jovem começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos que conhecia, ofendendo, inclusive, seus ancestrais. Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho sábio permaneceu impassível. No final da tarde, sentindo-se exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro desistiu e retirou-se.

Desapontados pelo fato de o mestre ter aceitado tantos insultos e tantas provocações, os alunos perguntaram: — Como o senhor pôde suportar tanta indignidade? Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que poderia perder a luta, ao invés de se mostrar covarde e medroso diante de todos nós?

Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente? — perguntou o Samurai.

A quem tentou entregá-lo — respondeu um dos discípulos.

O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos — disse o mestre. — Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carrega consigo. A sua paz interior, depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a serenidade, só se você permitir! 


publicado por Yoga Leiria às 21:35

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Terça-feira, 1 de Novembro de 2011

A águia que foi criada com as galinhas

Conta-se que uma águia foi criada pelas galinhas. Cresceu com os pintainhos e sempre agiu como as outras aves do galinheiro. Embora nos seus sonhos mais profundos ansiasse por algo diferente, atirava-os para trás das costas. Estava acostumada e conformada com a sua existência.

Um dia um naturista soube do caso e resolveu libertar a águia. Dizia à águia:

- Voa, voa livre, voa!

Mas, espantado, confirmou que a ave insistia em fazer e ter o que fazem e têm as galinhas. Contudo, não desistiu. Levou-a para cima do telhado e disse:

- És uma águia, abre as asas voa!

Confusa e amedrontada a águia correu para o galinheiro

Pacientemente, no dia seguinte o naturista levou a águia a uma montanha. Longe de tudo e de todos, levou-a a grandes alturas. Ergueu-a bem alto, apontou para o horizonte e sussurrou-lhe:

- Vê ! O céu é teu Abra as asas e voa!

E impulsionou o animal para cima. A rainha dos pássaros ao receber aquele encorajamento sentiu um tremor. Olhou para o galinheiro, tão distante, e para o céu. Percebeu que diante de si havia outras possibilidades. Mas não levantou voo.

Numa derradeira tentativa, o naturista colocou-a na direcção do sol. Maravilhada por aquele esplendor, sentindo um delicioso tremor tomar conta de si a águia abriu as asas, emitiu um sonoro crocitar e levantou voo. Seu primeiro voo de Liberdade!


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Domingo, 2 de Outubro de 2011

A Montanha

Filho e pai caminhavam por uma montanha. De repente, o filho cai, magoa-se e grita:

- Aiii!!

Para sua surpresa, escuta a sua voz repetindo-se em algum lugar na montanha:
- Aiii!!

Curioso o filho pergunta:

- Quem és tu?

E recebe como resposta:

- Quem és tu?

Contrariado grita:

- Covarde!

E escuta como resposta:

- Covarde!

O filho olha para o pai e pergunta, aflito:

- O que é isto?

O pai sorri e fala:

- Meu filho, presta atenção.

Então o pai grita em direcção à montanha:

- Eu admiro você!

A voz responde:

- Eu admiro você!

De novo, o homem grita:

- És um campeão!

A voz responde:

- És um campeão!


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Sábado, 3 de Setembro de 2011

Flores no túmulo

Um Homem estava a colocar flores no túmulo de um parente, quando viu um chinês colocando um prato de arroz na lápide ao lado. Ele vira-se para o chinês e pergunta:

- Desculpe, mas o senhor acha mesmo que o defunto virá comer o arroz? E o chinês responde:

- Sim, quando o seu vier cheirar as flores.

"Respeitar as opções dos outros é uma das maiores virtudes do ser humano. As pessoas são diferentes, agem e pensam de formas diferentes. Não julgue. Tente apenas compreender.”


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Domingo, 3 de Julho de 2011

Não fica nada

Um noviço estava na cozinha, lavando as folhas de alface para o almoço, quando um velho monge - conhecido por sua rigidez excessiva, que obedecia mais ao desejo de autoridade que à verdadeira busca espiritual - aproximou-se. - Você pode me dizer o que o superior do convento disse hoje no sermão? - Não consigo me lembrar. Sei apenas que gostei muito. O monge ficou estupefato. - Justamente você, que tanto deseja servir a Deus, é incapaz de prestar atenção nas palavras e conselhos daqueles que conhecem melhor o caminho? Por isso que as gerações de hoje estão tão corrompidas; já não respeitam o que os mais velhos tem para ensinar. - Olha bem o que estou fazendo - respondeu o noviço. - Estou lavando as folhas de alface, mas a água que as deixa limpas não fica presa nelas; termina sendo eliminada pelo cano da pia. Da mesma maneira, as palavras que purificam são capazes de lavar a minha alma, mas nem sempre permanecem na memória. "Não vou ficar lembrando tudo o que me dizem, só para provar que sou culto e superior aos demais. Tudo aquilo que me deixa mais leve, como a música e as palavras de Deus, termina guardado num recanto secreto do meu coração. E ali permanecem para sempre, vindo à superfície somente quando preciso de ajuda, de alegria, ou de consolo."


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Domingo, 29 de Maio de 2011

De onde vem o som do sino

Um dia, quando estava a ser tocado o sino do grande templo, perguntou a Ananda:

De onde vem o som do sino?

Do sino.

Ele disse:

— Do sino? Mas se não existisse badalo, como apareceria o som?

"Ananda corrigiu-se apressadamente: — Do badalo! Do badalo!

Do badalo? Se não houvesse ar, como chegaria o som até aqui?— Sim! Claro! Vem do ar!

Buda perguntou:

O ar? Mas a menos que tenhas ouvidos, não poderás


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Domingo, 1 de Maio de 2011

Apego

Um dia morreu o guardião de um mosteiro Zen. Para descobrir quem seria a nova sentinela, o mestre convocou os discípulos e disse:

- O primeiro que conseguir resolver o problema que eu vou apresentar assumirá o posto.

Então numa mesa que estava no centro a sala colocou um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza. E disse apenas:

- Aqui está o problema!

Todos ficaram olhando a cena: o vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro! O que representaria? O que fazer? Qual o enigma? De repente um dos discípulos saca da espada, olha para o mestre, dirige-se para o centro da sala e... Zazzz! Com um só golpe destruiu tudo.

- Você é o novo guardião. Não importa que o problema seja algo lindíssimo. Se for um problema, precisa ser eliminado.


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Domingo, 3 de Abril de 2011

O poço e o seu segredo

Numa pequena aldeia de Marrocos, um homem contemplava o único poço de toda a região. Um garoto aproximou-se:

- O que tem lá dentro? - quis saber

- Deus.

- Deus está escondido dentro deste poço?

- Está.

- Quero ver - disse o garoto, desconfiado.

O velho pegou-o no colo e ajudou-o a debruçar-se na borda do poço. Reflectido na água, o menino pode ver o seu próprio rosto.

- Mas este sou eu – gritou.

- Isso mesmo - disse o homem, tornando a colocar delicadamente o menino no chão. Agora você sabe onde Deus está escondido.


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Terça-feira, 1 de Março de 2011

A Divindade dos Homens

Houve um tempo em que todos os homens eram deuses. Mas eles abusaram tanto de sua divindade que Brahma, o mestre dos deuses, tomou a decisão de lhes retirar o poder divino. Resolveu então escondê-lo em um lugar onde seria absolutamente impossível reencontrá-lo. O grande problema era encontrar um esconderijo. Brahma convocou um conselho dos deuses menores, para juntos resolverem o problema.

- Enterremos a divindade do homem na terra, foi a primeira ideia dos deuses.

- Não, isso não basta, pois o homem vai cavar e encontrá-la.

Então os deuses retrucaram:

- Joguemos a divindade no fundo dos oceanos.

Mas Brahma não aceitou a proposta, pois achou que o homem, um dia iria explorar as profundezas dos mares e a recuperaria. Então os deuses concluíram:

- Não sabemos onde escondê-la, pois não existe na terra ou no mar lugar que o homem não possa alcançar um dia.

Brahma então se pronunciou:

- Eis o que vamos fazer com a divindade do homem: vamos escondê-la nas profundezas dele mesmo, pois será o único lugar onde ele jamais pensará em procurá-la.

Desde esse tempo, conclui a lenda, o homem deu a volta na terra, explorou escalou, mergulhou e cavou, em busca de algo que se encontra nele mesmo.


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Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2011

Amigos árabes

Conta uma lenda árabe que dois amigos viajavam pelo deserto certo dia discutiram. Um deles esbofeteou outro, que ofendido e sem nada dizer escreveu na areia "Hoje, meu melhor amigo me bateu no rosto". Mais tarde fizeram as pazes e seguiram viagem. Ao chegar a um oásis resolveram tomar banho. O que havia sido esbofeteado começou a afogar-se, mas o amigo salvou-o. Quando recuperou escreveu numa pedra "Hoje meu melhor amigo salvou-me a vida". Intrigado, o amigo perguntou:

- Por que depois que te bati, você escreveu na areia e agora escreveu na pedra?

Sorrindo, o outro amigo respondeu:

- Quando um grande amigo nos ofende, deveremos escrever na areia, onde o vento do esquecimento e do perdão se encarregam de apagar. Porém quando nos faz algo grandioso, deveremos gravar na pedra da memória do coração, onde vento nenhum do mundo poderá apagar!


publicado por Yoga Leiria às 15:58

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Sábado, 1 de Janeiro de 2011

Como manter o amor?

Uma mãe e a sua filha estavam a caminhar pela praia. Num certo ponto, a menina disse:

- Como se faz para manter um amor?

A mãe olhou para a filha e respondeu:

- Pega um pouco de areia e fecha a mão com força...

A menina assim fez e reparou que quanto mais forte apertava a areia com a mão com mais velocidade a areia escapava.

- Mamãe, mas assim a areia cai!!!

- Eu sei, agora abre completamente a mão...

A menina assim fez mas veio um vento forte e levou consigo a areia que restava na sua mão.

- Assim também não consigo mantê-la na minha mão!

A mãe, sempre a sorrir disse-lhe:

- Agora pega outra vez um pouco de areia e mantém-na na mão semiaberta como se fosse uma colher... bastante fechada para protegê-la e bastante aberta para lhe dar liberdade.


publicado por Yoga Leiria às 12:20

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Domingo, 5 de Dezembro de 2010

A corda de prata

Numa manhã clara, Buda passeava-se nos céus, à beira do lago da Flor de lótus, e me­ditava sob a morna carícia do sol. Ao de­bruçar-se sobre a água do lago, avistou nas profundezas borbulhantes de Nakara (o in­ferno) um homem que se debatia furiosa­mente, e parecia chamar por socorro. Buda reconheceu-o imediatamente. Era um ho­mem chamado Kantuka, um ladrão, um de­bochado, um assassino abominável que ele tinha encontrado na sua passagem terrestre. Buda é a infinita compaixão. Lembrou-se que uma vez na vida, este Kantuka tinha ma­nifestado um pouco de bondade. Uma gran­de aranha tinha pousado na sua sandália; em vez de a esmagar, ele tinha-a poupado e se­guido o seu caminho.

Vou ajudá-lo, pensou Buda, por esse gesto de compaixão. Quem sabe, talvez ainda haja uma réstia de generosidade neste infeliz. Agarrou então num fio de teia de aranha e fê-lo descer no lago em direcção a Kantuka. O fio transformou-se numa corda de prata, e o bandido agarrou-se solidamente a ela. Começou a subir. A ascensão era difícil. Kantuka empregava todas as suas forças. Agarrava-se com as mãos, os joelhos, os pés, suando e arfando. Em breve avistou uma nesga de céu azul acima da cabeça. Redobra­va de esforços, quando deitou uma olhadela para o fundo. Horror! Uma dezena dos seus antigos companheiros agarravam-se à corda de prata e esforçavam-se por sua vez a tentar subir.

Esta corda é capaz de não ser suficiente­mente forte para nos aguentar a todos, pen­sou Kantuka. Lembrou-se então que tinha guardado num bolso secreto a sua faca de assassino. "Vou cortar esta corda, pensou, e desembaraçar-me deles." Mal tinha formula­do este pensamento quando a corda de prata se partiu acima dele, e voltou a cair para sempre nos Infernos.


publicado por Yoga Leiria às 17:49

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Domingo, 31 de Outubro de 2010

Pegadas na areia

Uma noite eu tive um sonho...

Sonhei que andava a passear na praia com o Senhor, e, no firmamento, passavam cenas da minha vida.

Após cada cena que passava, percebi que ficavam dois pares de pegadas na areia: um era o meu e o outro era do Senhor.

Quando a última cena da minha vida pas­sou diante de nós, olhei para trás, para as pe­gadas na areia, e notei que muitas vezes, no caminho da minha vida, havia apenas um par de pegadas na areia.

Notei também que isso aconteceu nos mo­mentos mais difíceis e angustiosos do meu vi­ver. Isso aborreceu–me deveras e perguntei en­tão ao Senhor:

—          Senhor, Tu disseste–me que, uma vez que resolvi seguir–Te, Tu andarias sempre co­migo, em todos os caminhos. Contudo, notei que durante as maiores tribulações do meu vi­ver, havia apenas um par de pegadas na areia. Não compreendo porque é que, nas horas em que eu mais necessitava de Ti, Tu me deixaste sozinho.

O Senhor respondeu–me:

—          Meu querido filho, jamais te deixaria nas horas da prova e do sofrimento. Quando viste, na areia, apenas um par de pegadas, eram as minhas. Foi exactamente aí que pe­guei em ti ao colo.


publicado por Yoga Leiria às 19:58

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Sábado, 2 de Outubro de 2010

Biscoitos

Certo dia uma moça estava à espera de seu voo na sala de embarque de um aeroporto. Como ela deveria esperar por muitas horas resolveu comprar um livro para matar o tempo. Também comprou um pacote de biscoitos. Então ela achou uma poltrona numa parte reservada do aeroporto para que pudesse descansar e ler em paz. Ao lado dela se sentou um homem. Quando ela pegou o primeiro biscoito, o homem também pegou um. Ela se sentiu indignada, mas não disse nada. Ela pensou para si: Mas que "cara de pau". Se eu estivesse mais disposta, lhe daria um soco no olho para que ele nunca mais esquecesse. A cada biscoito que ela pegava, o homem também pegava um. Aquilo à deixava tão indignada que ela não conseguia reagir.

Restava apenas um biscoito e ela pensou: O que será que o "abusado" vai fazer agora? Então o homem dividiu o biscoito ao meio, deixando a outra metade para ela. Aquilo à deixou irada e bufando de raiva.

Ela pegou o seu livro e as suas coisas e dirigiu-se ao embarque.

Quando sentou confortavelmente em seu assento, para surpresa dela o seu pacote de biscoito estava ainda intacto, dentro de sua bolsa.

Ela sentiu muita vergonha: o homem dividiu os seus biscoitos sem se sentir indignado, enquanto que ela tinha ficado muito transtornada.


publicado por Yoga Leiria às 23:46

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Sábado, 28 de Agosto de 2010

Sons do Silêncio

Um rei mandou seu filho estudar no templo de um grande mestre com o objectivo de prepará-lo para ser uma grande pessoa.

Quando o príncipe chegou ao templo, o mestre mandou-o sozinho para uma floresta. Ele deveria voltar um ano depois, com a tarefa de descrever todos os sons da floresta. Quando o príncipe regressou ao templo, após um ano, o mestre pediu-lhe para descrever todos os sons que conseguira ouvir. Então, disse o príncipe:
"Mestre, pude ouvir o canto dos pássaros, o barulho das folhas, o alvoroço dos beija-flores, a brisa batendo na grama, o zumbido das abelhas, o barulho do vento cortando os céus..." E ao terminar o seu relato, o mestre pediu que o príncipe regressasse à floresta, para ouvir tudo o mais que fosse possível. Apesar de intrigado, o príncipe obedeceu a ordem do mestre, pensando: "Não entendo, eu já distingui todos os sons da floresta..." Por dias e noites ficou sozinho ouvindo, ouvindo, ouvindo... mas não conseguiu distinguir nada de novo além daquilo que havia dito ao mestre. Porém, certa manhã, começou a distinguir sons vagos, diferentes de tudo o que ouvira antes. E quanto mais prestava atenção, mais claros os sons se tornavam. Uma sensação de encantamento tomou conta do rapaz. Pensou:

"Esses devem ser os sons que o mestre queria que eu ouvisse..." E sem pressa, ficou ali ouvindo e ouvindo, pacientemente. Queria ter certeza de que estava no caminho certo. Quando regressou ao templo, o mestre perguntou-lhe o que mais conseguira ouvir. Paciente e respeitosamente o príncipe disse:

"Mestre, quando prestei atenção pude ouvir o inaudível som das flores abrindo-se, o som do sol nascendo e aquecendo a terra e da grama bebendo o orvalho da noite... O mestre sorrindo, acenou com a cabeça em sinal de aprovação, e disse:

"Ouvir o inaudível é ter a calma necessária para se tornar uma grande pessoa. Apenas quando se aprende a ouvir o coração das pessoas, seus sentimentos mudos, seus medos não confessados e suas queixas silenciosas, uma pessoa pode inspirar confiança ao seu redor; entender o que está errado e atender às reais necessidades de cada um."


publicado por Yoga Leiria às 11:56

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Sábado, 3 de Julho de 2010

Um cego em paris

Dizem que havia um cego sentado na calçada em Paris, com um boné a seus pés um pedaço de madeira que, escrito com giz branco, dizia: "Por favor, ajude-me, sou cego". Um publicitário, da área de criação, que passava em frente a ele, parou e viu umas poucas de moedas no boné. Sem pedir licença, pegou no cartaz, virou-o, pegou no giz e escreveu outro anúncio. Voltou a colocar o pedaço de madeira aos pés do cego e foi-se embora. Pela tarde, o publicitário voltou a passar em frente ao cego que pedia esmola. Agora, o seu boné estava cheio de notas e moedas. O cego reconheceu as pisadas e lhe perguntou se havia sido ele quem reescreveu seu cartaz, sobretudo querendo saber o que havia escrito ali. O publicitário respondeu: "Nada que não esteja de acordo com o seu anúncio, mas com outras palavras". Sorriu e continuou seu caminho. O cego nunca soube, mas seu novo cartaz dizia: "Hoje é Primavera em Paris, e eu não posso vê-la". Mudar a estratégia quando nada nos acontece... pode trazer novas perspectivas. Precisamos sempre escolher a forma certa de nos comunicarmos com as pessoas. Não adianta simplesmente falarmos; antes, precisamos conhecer a melhor mensagem para tocarmos, sensibilizarmos e convencermos as pessoas.

Tenham uma óptima semana e não se esqueçam que...

"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos."

(Charlie Chaplin)


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Domingo, 30 de Maio de 2010

Queres ser imperador?

Naquele tempo, Heian Kyo, que significa "capital da paz e da tranquilidade12", era um local magnífico, onde residia sua Majestade o Imperador. Nobres senhores vestidos de vermelho, túnica cerise, calças púrpura, no­bres damas em trajes deslumbrantes, de co­res sempre renovadas, rivalizavam em justas de amor e jogos de espírito. As sumptuosas festas sucediam-se sem parar nos palácios, solares, ornados de estátuas magníficas. Os músicos acompanhavam às margens do lago

das Oito Virtudes os amantes do luar. Os templos eram construídos em madeira pre­ciosa, ornados a nacre, incrustados de pe­dras preciosas, e as cerimónias rituais davam lugar a faustos sem igual por todo o império.

O imperador Saga era um homem idoso, já um pouco cansado destes perpétuos fol­guedos. Rola-o um desgosto secreto. Não ti­nha filhos. Ausentava-se muitas vezes da corte, e ia com alguns fiéis e discretos ser­vidores ter com um ermita, um monge zen. Este vivia não longe da capital, numa sim­ples cabana de ramagens, ao pé dum pagode em ruínas. Sentado num tronco de árvore, Saga observava o monge orar, meditar, cor­tar lenha, e o machado brilhar ao sol ao rit­mo dos golpes.

"Vejo-te viver há vários anos, Ryoben, tu és activo, enérgico, generoso e sábio. Estou a envelhecer, não tenho filhos. Queres su­ceder-me, queres ser imperador?"

A esta pergunta espantosa, o monge nada respondeu.

"Imagina, Ryoben, os prazeres, a riqueza, o poder absoluto, o direito de vida e morte so­bre tudo o que respira neste país. Podias man­dar construir aqui um palácio, ou um templo de cem pagodes, divulgar o Zen, estender a sua influência. Não te sentes tentado?"

Então Ryoben pousou o machado, alisou a roupa, e disse:

"Vou até à margem da ribeira lavar os meus ouvidos emporcalhados por essas pa­lavras."

Foi até à ribeira onde encontrou um cam­ponês que ali ia muitas vezes levar a vaca a beber.

"Estás a lavar os ouvidos a estas horas do dia?

— Sim, os meus ouvidos foram emporca­lhados pelas palavras do imperador. Propôs­-me que lhe sucedesse, — e que subisse ao trono.

— Compreendo bem que te laves! — disse o camponês, — e nessas condições não vou deixar que a minha vaca beba dessa água suja."

Provocação, impertinência, o grande riso libertador do Zen. O monge considera com um olhar igual o príncipe e o pobre-diabo, oleão e o vermezinho. Não desejando nada, não possuindo nada, o Zen é a liberdade perfeita.


publicado por Yoga Leiria às 17:22

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Domingo, 2 de Maio de 2010

A importância da interpretação

Numa quinta-feira pela manhã, na fábrica...

O Presidente chama o Director e diz: "Sr. Carlos, reúna o seu pessoal e diga que em virtude da passagem do cometa Halley que acontece no intervalo de 75 anos, amanhã o expediente ter­minará mais cedo para que eles assistam esse espectáculo da na­tureza".

O Director por sua vez reúne-se com os gerentes e comunica: "meus caros avisem ao pessoal que aquele cometa que tem 75 anos, o "Halley" vai passar pela terra amanhã, por isso o expe­diente terminará mais cedo" O gerente convoca todos encar­regados, no mesmo dia, e avi­sa:

"Gente uma boa notícia: um tal de "Halley" acho que é um se­nhor de 75 anos vem aqui na fábrica amanhã para dar uma palestra sobre cometas, portan­to o expediente acabará as 15:00 hs".

Já em clima de festa os encar­regados sobem numa bancada, reúnem todos os funcionários e avisam:

"Aí roçada, o Bill Halley e seus cometas, aqueles que cantam "Rock and Roll " vem aqui na fábrica para um show.

Então, amanhã 15:00 horas todo mundo preparado para dançar".


publicado por Yoga Leiria às 19:58

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Quinta-feira, 8 de Abril de 2010

O samurai e o Sábio

Um samurai procura respostas às suas perguntas sobre o sentido da vida. Percorre léguas para se encontrar, no alto de uma montanha isolada, com um monge reputado como muitíssimo sábio. Chegado ao pé dele, pergunta-lhe: «monge, ensina-me o que é o inferno e o paraíso.» O monge, sem olhar, disse: «um ser orgulhoso como tu?» Enraivecido, o samurai levanta a o sabre vai abater-se sobre a sua cabeça, o monge diz tranquilamente: «Isso é o inferno.» O braço do samurai imobiliza-se, o sabre interrompe o seu curso. Balbuciante, o homem arrisca: «Queres dizer que arriscaste a tua vida para me ensinar isso?» O monge olha-o: «Isso é o paraíso.»


publicado por Yoga Leiria às 10:13

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Quarta-feira, 3 de Março de 2010

Amigos Árabes

Conta uma lenda árabe que dois amigos viajavam pelo deserto certo dia discutiram. Um deles esbofeteou outro, que ofendido e sem nada dizer escreveu na areia "Hoje, meu melhor amigo me bateu no rosto". Mais tarde fizeram as pazes e seguiram viagem. Ao chegar a um oásis resolveram tomar banho. O que havia sido esbofeteado começou a afogar-se, mas o amigo salvou-o. Quando recuperou escreveu numa pedra "Hoje meu melhor amigo salvou-me a vida". Intrigado, o amigo perguntou:

- Por que depois que te bati, você escreveu na areia e agora escreveu na pedra?

Sorrindo, o outro amigo respondeu:

- Quando um grande amigo nos ofende, deveremos escrever na areia, onde o vento do esquecimento e do perdão se encarregam de apagar. Porém quando nos faz algo grandioso, deveremos gravar na pedra da memória do coração, onde vento nenhum do mundo poderá apagar!


publicado por Yoga Leiria às 10:52

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Domingo, 31 de Janeiro de 2010

Provérbio árabe

Nunca digas tudo o que sabes Nunca faças tudo o que podes.

Nunca acredites em tudo o que ouves

Nunca gastes tudo o que tens; Porque:

Quem diz tudo o que sabe

Quem faz tudo o que pode;

Quem acredita em tudo o que ouve

Quem gasta tudo o que tem; Muitas vezes:

Diz o que não convém,

Faz o que não deve.

Julga o que não conhece.

Gasta o que não pode


publicado por Yoga Leiria às 17:41

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Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

Lixo

Peguei num papel e amarrotei-o, enquanto disse à minha irmã:

- Imagina que este papel é lixo

Sem ela esperar atirei-o para cima dela. Pensando que era lixo ela desviou-se e não o apanhou.

- Estás a ver? Com os insultos é o mesmo. Não precisas de os apanhar...


publicado por Yoga Leiria às 11:05

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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

O estandarte e o vento

O Zen segue sempre em frente. Não dá ex­plicações, apenas sugere. É conhecido o fa­moso episódio do discípulo que interroga o mestre:

"Qual é a verdadeira natureza do Buda? — O cipreste no pátio."

O Zen une o visível e o invisível, o quo­tidiano humilde e a realidade final, o relativo e o absoluto. O "cipreste no pátio", a flor à nossa frente, a pedra sob os nossos passos são os caminhos que levam para além do além do mais além.

Numa bela tarde de Primavera, um mestre zen volta duma caminhada. O tempo está delicioso, nem quente, nem frio, um tempo de equilibrio e de encanto com o qual a alma espontaneamente se harmoniza. Sopra um ligeira brisa e, chegando ao portão do mos­teiro, o mestre constata que o estandarte com a efígie do Buda ondula docemente ao vento. Dois jovens noviços estão plantados diante dele.

"É o estandarte que se agita!

Não, é o vento!

Segundo a boa doutrina, o que importa é o que vemos diante de nós agora. E é o estandarte, ele agita-se!

De maneira nenhuma, a tua visão está errada, porque a agitação do estandarte não é senão consequência do vento, é ele a causa primeira, a realidade para além da aparência.

Mas a existência do vento é uma hipó­tese!

O estandarte não se agita sem motivo, a sua realidade é constitutiva do vento!

Pura especulação!

Evidência!

Não, de maneira nenhuma!

Mas sim!"

Os dois monges exaltam-se, o que não pas­sava duma tranquila conversa torna-se uma disputa, uma batalha. Pouco falta para que se batam. É então que avistam o mestre do templo, que os olha impassível. Um pouco confusos, apelam para ele:

"Mestre, é o estandarte que se agita, é o vento?

Não é o estandarte, não é o vento, é o vosso espírito que se agita."

"O Zen é um mistério. No momento em que um pensamento o toca, desaparece.


publicado por Yoga Leiria às 08:54

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Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Flores no túmulo

Um Homem estava a colocar flores no túmulo de um parente, quando viu um chinês colocando um prato de arroz na lápide ao lado. Ele vira-se para o chinês e pergunta:

- Desculpe, mas o senhor acha mesmo que o defunto virá comer o arroz? E o chinês responde:

- Sim, quando o seu vier cheirar as flores.

"Respeitar as opções dos outros é uma das maiores virtudes do ser humano. As pessoas são diferentes, agem e pensam de formas diferentes. Não julgue. Tente apenas compreender.”

 


publicado por Yoga Leiria às 10:07

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Domingo, 23 de Agosto de 2009

Como o todo pode estar numa parte

Reunião na casa de um pintor paulista que vive em Nova Iorque. Conversamos sobre anjos e sobre alquimia. A dada altura, tento explicar aos outros convidados a ideia alquímica de que cada um de nós contém dentro de si o Universo inteiro – e é respon­sável por ele.

Luto com as palavras, mas não consigo uma boa imagem; o pintor, que está a ouvir em silêncio, pede a todos que olhem para a janela do seu estúdio.

            O que é que estão a ver?

– Uma rua do Village – responde alguém.

O pintor cola um papel no vidro, de forma que a rua já não possa ser vista, e com um canivete faz um pequeno quadrado no papel.

            E se alguém olhar por aqui, o que é que verá?

            A mesma rua – diz um dos outros convidados.

O pintor faz vários quadrados no papel.

            Assim como cada buraquinho neste papel contém a mesma rua, cada um de nós contém o mesmo Universo – diz ele.

E todos os presentes batem palmas pela bela imagem encon­trada.


publicado por Yoga Leiria às 17:26

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Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

O pão que caiu com o lado errado

 

A nossa tendência é para acreditar na famosa «lei de Murphy»: tudo o que fazemos tende sempre a dar errado. Jean Claude Carriére conta uma história interessante a este respeito:
«Um homem tomava despreocupadamente o seu pequeno--almoço. De repente, o pão onde acabara de pôr manteiga caiu ao chão.
Qual não foi a sua surpresa quando, ao olhar para baixo, viu que a parte onde tinha posto a manteiga estava virada para cima! O homem achou que tinha presenciado um milagre; animado, foi conversar com os seus amigos sobre o que tinha acontecido, e to­dos ficaram surpreendidos, porque o pão, quando cai no chão, fica sempre com a parte da manteiga virada para baixo, a sujar tudo.
– Talvez sejas um santo – disse um. – E estás a receber um sinal de Deus.
A história correu logo pela pequena aldeia, e todos se puse­ram a discutir animadamente o que acontecera: como é que, contrariando tudo o que se dizia, o pão daquele homem tinha caído no chão daquela maneira? Como ninguém conseguia en­contrar uma resposta adequada, foram procurar um Mestre que morava nas redondezas, e contaram-lhe a história.
O Mestre pediu-lhes uma noite para rezar, reflectir, pedir inspiração divina. No dia seguinte, foram todos ter com ele, ansiosos por uma resposta.
– A solução é muito simples – disse o Mestre. – Na verdade, o pão caiu no chão exactamente como devia cair; a manteiga é que tinha sido posta do lado errado.»

publicado por Yoga Leiria às 10:12

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Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

O rei e o vizir

Num lugar longínquo havia um vizir, uma pessoa muito sábia, que tinha o papel de fazer justiça no palácio real. Era um homem muito procurado por todos pela fama da sua sabedoria. Uma das frases que ele mais usava era: ”Se calhar, isso aconteceu para o seu bem!” Um dia, o rei perdeu um dedo num acidente. Ficou muito aflito e foi procurar consolo junto do vizir. Depois de se lamentar, o vizir disse-lhe: “Vossa Majestade, se calhar, isso aconteceu para o seu bem!” O rei não esperava nada daquilo, gostaria de ouvir algo como “tem razão para ficar triste, coitado” e ficou zangadíssimo. A sua cólera era tanta que o mandou prender nas masmorras do reino. Passaram-se algumas semanas e o vizir preso a pão e água. Um dia, o rei foi a uma caçada e, no meio da floresta, ele e os seus servidores foram aprisionados por uma tribo de canibais. Mataram imediatamente todos os criados e levaram o rei para a aldeia. Como era o mais nobre de todos, seria oferecido às divindades. Começaram os preparativos. Aqueceram a água e preparavam-se para lavar o rei quando repararam na falta do dedo. Um ser defeituoso não servia para os deuses. Explicando-lhe a razão, libertaram-no. O rei ficou felicíssimo e, enquanto corria para o palácio, pensava na injustiça que cometera com o vizir. Pensava: “O que eu fiz não tem perdão. Tenho que o libertar imediatamente!” Foi pessoalmente à masmorra pedir-lhe perdão e contou-lhe o sucedido. O vizir ouviu atentamente e retorquiu:” Mas, Vossa Alteza, se calhar isso aconteceu para o meu bem” O rei não entendeu a calma e o desapego do vizir: “Como é possível pensares que foi para o teu bem? Que bem é que pode advir de uma prisão escura e húmida?” Serenamente o vizir respondeu: “Se Vossa Alteza não me tivesse mandado prender, eu teria ido consigo à caçada! Teria sido morto.


publicado por Yoga Leiria às 21:44

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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Gabriel Garcia Marquez

Trata-se de um texto do escritor Gabriel Garcia Marquez que vive lúcido e consciente, os últimos dias da sua vida, vítima de um cancro linfático. Sem dúvida um instante inesquecível da sensibilidade humana:

 

"Se, por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marionete de trapo e me presenteasse com um pedaço de vida, possivelmente não diria tudo o que penso, mas, certamente, pensaria tudo o que digo. Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam.

 

Dormiria pouco, sonharia mais, pois sei que a cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os demais parassem, acordaria quando os outros dormem. Escutaria quando os outros falassem e gozaria um bom sorvete de chocolate.

 

Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, vestir-me-ia com simplicidade, deitar-me-ia de bruços no solo, deixando a descoberto não apenas meu corpo, como minha alma. Deus meu, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperaria que o sol saísse. Pintaria, com um sonho de An Gogo, sobre estrelas, um poema de Mário Benedetti e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à Lua.

 

Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos espinhos e o encarnado beijo de suas pétalas. Deus meu, se eu tivesse um pedaço de vida, não deixaria passar um só dia sem dizer às gentes - amo- vos, amo-vos.

 

Convenceria cada mulher e cada homem que são os meus favoritos e viveria apaixonado pelo amor. Aos homens, provar-lhes-ia como estão enganados ao pensarem que deixam de apaixonar-se quando envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de apaixonar- se.

 

A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas deixaria que aprendesse a voar sozinha. Aos velhos, ensinaria que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento. Tantas coisas aprendi com vocês, os homens... Aprendi que toda a gente quer viver no cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa.

 

Aprendi que, quando um recém-nascido aperta, com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo de seu pai, o torna prisioneiro para sempre. Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar. São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas, finalmente, não poderão servir muito porque quando me olharem dentro dessa maleta, infelizmente estarei morrendo."

Gabriel Garcia Marquez

 


publicado por Yoga Leiria às 10:54

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Sábado, 1 de Novembro de 2008

Lição da vida

A criança que vive com o ridículo

Aprende a ser tímida

A criança que vive com a crítica

Aprende a condenar

A criança que vive com suspeita

Aprende a ser falsa

A criança que vive com antagonismo

Aprende a ser hostil

A criança que vive com afeição

Aprende a amar

A criança que vive com estimulo

Aprende a confiar

A criança que vive com a verdade

Aprende a ser justa

A criança que vive com o elogio

Aprende a dar valorA criança que vive com a generosidade

A prende a repartir

A criança que vive com o saber

Aprende a contar

A criança que vive com a paciência

Aprende a tolerância

A criança que vive com a felicidade

Conhecerá o amor

Ronald Russel

 


publicado por Yoga Leiria às 11:32

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Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

Sempre foi Assim

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula. No meio, uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia na escada para pegar as bananas, os cientistas jogavam um jacto de água fria nos que estavam no chão. Depois de algum tempo, quando um macaco fazia menção de subir a escada, os outros o pegavam e enchiam de pancada. Após mais algum tempo, nenhum macaco queria subir a escada, apesar da tentação das bananas.

Um dia, substituíram um dos macacos por um novo. A primeira coisa que o calouro fez foi tentar subir a escada, mas foi impedido pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo desistiu de subir a escada.
Um segundo macaco foi substituído e o mesmo ocorreu, sendo que o primeiro substituto participou com entusiasmo da surra ao novato.
Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu.
Um quarto e afinal o último dos veteranos foi substituído.
Os cientistas então ficaram com um grupo de cinco macacos que, mesmo sem nunca ter tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar as bananas.

publicado por Yoga Leiria às 11:22

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Domingo, 6 de Julho de 2008

Onde deixaste a tua bicicleta

 

O pároco está muito preocupado: “escuta disse para o seu sacristão; “alguém roubou a minha bicicleta.”

“por onde andou com ela, senhor Prior?”, perguntou aquele notável.

“Apenas pela paróquia, nas minhas visitas.”

O sacristão sugeriu que o melhor planos seria que o pároco dirigisse o sermão dominical par os dez mandamentos. “Quando chegar ao `não roubarás, você e eu observaremos as caras – depressa descobriremos.”

Chegou ao domingo, o prior começou a discursar fluentemente sobre os mandamentos, depois perdeu o fio a meada, mudou de assunto e desconversou.

“Senhor, disse o sacristão, “pensei que fosse falar...”

“Bem sei, Giles, bem sei, mas acontece que quando cheguei ao mandamento: `não cometerá adultérios, lembrei-me subitamente onde tinha deixado a minha bicicleta.” 


publicado por Yoga Leiria às 19:35

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Terça-feira, 3 de Junho de 2008

A cruz

 

Havia um homem que passava o tempo todo a se lastimar. O tal “choramingão” dizia que Cristo lhe reservará uma cruz pesada demais. Para todos, ele falava de sua infelicidade: pouca fortuna, emprego fatigante, família numerosa a sustentar, infortúnio nos negócios...

Um dia, ele foi se queixar ao próprio Jesus. Jesus ouviu-o e chamo-o a uma grande sala. Ali havia uma infinidade de cruzes de madeira e de metal, maiores e menores, mais pesadas e mais leves, novas e velhas. E Jesus foi lhe explicando que aquelas cruzes correspondiam às carregadas por cada ser humano.

Então, Jesus propôs ao homem sofredor que procurasse dentro da sala uma cruz mais leve e que podia levá-la em troca da sua. O homem, sempre em lamento, foi experimentando as outras cruzes, todas elas grossas e pesadas; finalmente, achou uma mais leve e disse a Jesus que queria ficar com aquela. E Jesus lhe disse: “tudo bem, podes levá-la! Pois é exactamente esta a cruz que você sempre carregou.


publicado por Yoga Leiria às 09:56

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Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

Ora vejam lá

Levava eu um jarrinho

P´ra ir buscar o vinho

Levava um tostão

P´ra comprar o pão

Rasgou-se-me a fita...

Vejam que desdita!

 

Correu atrás de mim um rapaz:

Foi o jarro p´ra o chão,

Perdi o tostão,

Rasgou-se-me a fita...

Vejam que desdita!

 

Se eu não levasse um jarrinho,

Nem fosse buscar o vinho,

Nem trouxesse uma fita

Para ir bonita –

Nem corresse atrás

De mim um rapaz

Para ver o que eu fazia,

Nada de isso acontecia

Fernando Pessoa


publicado por Yoga Leiria às 11:57

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Segunda-feira, 7 de Abril de 2008

Discurso sobre a internacionalização da Amazónia

Durante um debate numa universidade dos Estados Unidos o actual Ministro da Educação CRISTOVAM BUARQUE foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia (ideia que surge com alguma insistência nalguns sectores da sociedade americana e que muito incomoda os brasileiros).

Um jovem americano fez a pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um Brasileiro. Esta foi a resposta de Cristovam Buarque:

'De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização  da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com  esse património, ele é nosso.

Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também a de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro...

O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não seu preço.

Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono ou de um país.

Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França.

Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.

Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em  comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA.

Por isso, eu acho  que  Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo  menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro,

Brasília, Recife, cada cidade, com  sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo  inteiro.

Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida.

Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.

Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro.

Ainda mais do que merece a Amazónia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.

Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa.

Só nossa! '


publicado por Yoga Leiria às 09:25

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Sexta-feira, 14 de Março de 2008

Conto Judaico

Um dia, a Verdade decidiu visitar os homens, sem roupas e sem adornos, tão nua como seu próprio nome.

E todos que a viam lhe viravam as costas de vergonha ou de medo, e ninguém lhe dava as boas-vindas.

Assim, a Verdade percorria os confins da Terra, criticada, rejeitada e desprezada.

Uma tarde, muito desconsolada e triste, encontrou a Parábola, que passeava alegremente, trajando um belo vestido e muito elegante.

Verdade, por que você está tão abatida? — perguntou a Parábola.

Porque devo ser muito feia e antipática, já que os homens me evitam tanto! — respondeu a amargurada Parábola.

Que disparate! — Sorriu a Parábola. — Não é por isso que os homens evitam você. Tome. Vista algumas das minhas roupas e veja o que acontece.

Então, a Verdade pôs algumas das lindas vestes da Parábola, e, de repente, por toda parte onde passava era bem-vinda e festejada.

Os seres humanos não gostam de encarar a Verdade sem adornos. Eles preferem-na disfarçada.

 


publicado por Yoga Leiria às 23:19

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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

As Moscas

Conta-se que certa vez duas moscas caíram num copo de leite.
A primeira era forte e valente, assim logo ao cair nadou até a borda do copo, mas como a superfície era muito lisa e ela tinha suas asas molhadas, não conseguiu sair. Acreditando que não havia saída, a mosca desanimou parou de nadar e de se debater e afundou.
A outra mosca não era tão forte mas era tenaz. Continuou a se debater, a se debater e a se debater por tanto tempo, que, aos poucos o leite ao seu redor, com toda aquela agitação, foi se transformando e formou um pequeno nódulo de manteiga, onde a mosca tenaz conseguiu com muito esforço subir e dali levantar voo para algum lugar seguro.
Tempos depois, a mesma mosca tenaz, por descuido ou acidente, novamente caiu no copo.
Como já havia aprendido em sua experiência anterior, começou a se debater, na esperança de que, no devido tempo, se salvaria.
Outra mosca, passando por ali e vendo a aflição da companheira de espécie, pousou na beira do copo e gritou:
- Tem um canudo ali, nade até lá e suba pelo canudo.
A mosca tenaz não lhe deu ouvidos, baseando-se na sua experiência anterior de sucesso e, continuou a se debater e a se debater, até que, exausta afundou no copo cheio de água.

publicado por Yoga Leiria às 12:57

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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

Briga na carpintaria

 
Conta-se que numa carpintaria houve, certa vez, uma estranha assembleia. Foi uma reunião das ferramentas para acertar as suas deferências. O martelo exerceu a presidência, mas os participantes notificaram-no que teria que renunciar. A causa? Fazia demasiado barulho e, além do mais, passava o tempo todo a golpear.
O martelo aceitou mas pediu que fosse também expulso o parafuso que, segundo ele dava muitas voltas para conseguir algo. Diante do ataque, o parafuso concordou, mas por sua vez, pediu a expulsão da lixa. Dizia que ela era muito áspera no tratamento com os demais, entrando sempre em atritos.
A lixa acatou, com a condição que fosse expulso o metro que media sempre os outros segundo a sua própria medida, como se fosse o único perfeito. Nesse momento entrou o carpinteiro, juntou o material e começou o seu trabalho.
Utilizou o martelo, o parafuso, a lixa e o metro, e converteu-se a madeira rústica num fino móvel.
Autor desconhecido.
É fácil encontrar defeitos nos outros. Qualquer um pode fazê-lo, mas encontrar qualidades... isso é para os sábios!

publicado por Yoga Leiria às 12:12

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Contrastes

Um escritor americano, Geor­ge Carlin, descreveu os contrastes do nosso tempo e da nossa manei­ra de viver: Eis alguns:
Temos edifícios cada vez mais altos, mas uma moralidade cada vez mais baixa.
Temos auto-estradas cada vez mais largas, mas horizontes cada vez mais estreitos.
Temos casas cada vez maio­res e melhores, e famílias cada vez mais pequenas.
Temos cada vez mais instru­ção, mais estudos e cada vez me­nos sabedoria.
Temos muitos mais peritos em todos os assuntos, mas cada vez mais problemas.
Temos muitos e variados re­médios para as doenças, mas uma vida pouco saudável.
Falamos muito de amor e de paz, mas amamos muito pouco e somos violentos.
Sabemos como ganhar a vi­da, mas não dialogamos acerca do sentido da vida.
Procuramos a vida noutros planetas, mas deixamos que na Terra se morra de fome.
Conseguimos dominar o áto­mo, mas não dominamos os nos­sos preconceitos.
Somos ricos em coisas e mais coisas, mas pobres nas relações humanas.
Multiplicámos os nossos bens, mas não aumentaram os valores humanos.
Acrescentámos anos à vida neste mundo, mas não demos mais vida aos anos.


publicado por Yoga Leiria às 12:06

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Terça-feira, 9 de Outubro de 2007

Pelo mundo das ideias

 

 Guerra Junqueiro, "Pátria", 1896

"Galo Verde"

Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e

sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de

vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a

energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as

moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem

onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é

bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo

misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa

morta. [...]

 

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não

descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter,

havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em

pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da

mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política

portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos [...]

 

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de

quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação

unânime do País. [...]

 

A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer

dela saca-rolhas;

 

Dois partidos [...] sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, [...]

vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas

palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo

zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu

no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar..."






publicado por Yoga Leiria às 22:18

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